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MARCOS PINHEIRO | POR QUE SAÍ DO PORÃO DO ROCK?

  • 13 de out de 2020
  • 12 min de leitura

Uma cena musical não se faz apenas por bandas ou por músicos, prova disso é o Marcos Pinheiro (carinhosamente tratado como Marquinhos pela maioria das pessoas), o qual é um verdadeiro ícone do rock brasiliense e um símbolo maior da resistência que o estilo requer, sem tocar em nenhuma banda e sem ser músico. Coloque no site da rádio Cult 22, deixe o rock tomar conta do ambiente e acompanhe a conversa abaixo...

Fellipe CDC

1) Marquinhos, meu amigo, antes de começarmos, quero agradecer por disponibilizar alguns minutos do seu concorrido tempo para responder umas perguntas para o site Escola de Rock. Para iniciarmos, como o carioca Marcos Pinheiro veio parar no DF e por quais razões decidiu continuar morando e apostando na Capital?

Marcos Pinheiro - Minha mãe era professora na Escola de Música do Rio de Janeiro - ela tem formação em canto e piano - e foi convidada no fim de 1979, junto com uma amiga, para vir a Brasília trabalhar no então Ministério da Educação e Cultura (o antigo MEC). A proposta era tentadora financeira e profissionalmente e ela aceitou. Meu pai ficou mais um tempo no Rio por causa do trabalho dele até que se aposentou e pode sair. E eu vim pra cá com ele no início de 1983. Nesse período de três anos e pouco de "família separada" estive algumas vezes em Brasília para conhecer e me acostumar com a cidade. Confesso que achava tudo muito estranho. Cheguei, fiz o terceiro ano do segundo grau e, no ano seguinte, entrei para a UnB no curso de Comunicação. A partir daí fiz muitos amigos e comecei a construir minha vida profissional, após me formar em Jornalismo no fim de 1988. Ironicamente, em meados de 1991 meus pais voltaram para o Rio e eu preferi ficar aqui - e olha que o Cult 22 nem tinha estreado ainda! (risos)

Fellipe CDC

2) Por décadas, corrigindo, centenas de anos, o Brasil é alvo e refém de políticas inescrupulosas. O momento atual, diga-se, é um pesadelo real. Reduzindo essa verdadeira catástrofe social para uma área micro, qual o seu sentimento, enquanto cidadão, quando se depara com a política fluminense, onde alguns ex-prefeitos e ex-governadores estão presos e muitos outros políticos estão envolvidos com a milícia?

Marcos Pinheiro - É estarrecedor perceber o que se tornou o Rio de Janeiro, sobretudo a chamada "Cidade Maravilhosa": um antro de corrupção, negociatas, improbidade administativa, tráfico, milícias, violência policial, crimes que vão das favelas aos bairros nobres. Parece uma Gotham City, uma cidade macabra de histórias em quadrinhos. Fruto de décadas de péssimos governos e esquemas fraudulentos, como se não fosse mais possível reverter esse quadro. Alguns dos piores nomes da política brasileira dos últimos anos saíram de lá, a começar pelo atual presidente da República e sua família nefasta. Paralelamente, o Rio ainda é uma cidade linda em belezas naturais e de grande riqueza cultural, mesmo que vilipendiada por todos esses anos de desmonte. Fico obviamente muito triste com tudo isso. 

Fellipe CDC 3) Eu sei que você não gosta nem de pensar no assunto – não o culpo e até peço perdão pela minha insistência -, mas é que tenho a convicção que a cultura e a educação precisa de uma pessoa como você em alguma esfera do poder. Sendo assim, por quais razões você não aceita a missão de ser nosso representante e lança o seu nome como candidato a uma vaga na câmara legislativa (propositalmente com letras minúsculas!)?

Marcos Pinheiro - Política infelizmente não é feita apenas por boas intenções e projetos. E é quase impossível que alguém sozinho ou cercado por poucos parlamentares honestos consiga reverter esse quadro infestado de negociatas, corrupção, fundamentalismo religioso, armamentismo, destruição do meio ambiente e outros tantos males que nos assolam há décadas - e que, a meu ver, pioraram absurdamente nos últimos anos. Claro que alguma coisa precisa ser feita - e urgente!. Mas não acho que eu tenha esse perfil. Caso fosse eleito, ficaria tremendamente incomodado com o assédio constante e a convivência com essa "turminha do mal". E frustrado em não conseguir por em prática minhas ideias. Sou muito pró-ativo com as coisas que faço, gosto de tomar a iniciativa, mas não seriam coisas que dependeriam só de mim.  Fellipe CDC

4) Bom, chega de falar de política nessa entrevista. Vamos falar sobre música, que é o nosso mote, que é o que nos move e faz sorrir. Entre tantos estilos musicais existentes no mundo, quais os caminhos te direcionaram ao rock e quais as bandas que mais o influenciaram na sua decisão de seguir pelas trilhas do rock n roll?

Marcos Pinheiro - A música em geral, antes do rock propriamente, sempre esteve presente na minha vida. Primeiro por causa da minha mãe que, como expliquei, tem formação em canto e piano e me apresentou obras de compositores da música clássica e erudita. Meu pai era fã daqueles cantores e cantoras antigo(a)s dos "tempos de ouro" das rádios, tipo Orlando Silva, Silvio Caldas, Nelson Gonçalves, Emilinha Borba. E meus tios, irmãos da minha mãe, ouviam muita MPB (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elis Regina, Jorge Ben, Tim Maia) e foi o primeiro estilo com que me identifiquei na infância - e gosto até hoje. No início da adolescência comecei a ouvir rock por causa dos meus primos. Mas naquela época, virada para os anos 1980, eram só os medalhões mesmo, tipo Queen, Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, Led Zeppelin, Supertramp... Minha aproximação de verdade com o rock se deu já morando em Brasília - e para isso contribuiu, claro, a explosão das bandas nacionais daquela geração e a abertura do mercado internacional no Brasil após o Rock in Rio 1985. Daí, as bandas daquela década entraram de vez em minha memória afetiva: The Cure, New Order, U2, The Smiths, R.E.M., Echo & the Bunnymen, Legião Urbana, Titãs, Plebe Rude e por aí vai. Claro que, com o tempo, meu gosto foi se ampliando mais e mais - e o Cult 22 contribuiu imensamente para isso. Fellipe CDC 5) Marquinhos, você era jornalista esportivo dentro do Correio Braziliense e conseguiu cavar um importante espaço para o rock dentro do jornal. Infelizmente, há muito tempo essa coluna não existe mais, entretanto, quero que relembre os momentos mais importantes dentro desse período?

Marcos Pinheiro - Esse mérito, na verdade, não foi meu. O Carlos Marcelo, jornalista que criou comigo o programa Cult 22, se tornou editor no Correio Braziliense de um caderno voltado para o público jovem chamado "X-Tudo". E, dentro desse suplemento semanal, ele criou uma página chamada "Garagem", destinada justamente ao som independente, sobretudo do rock, que tinha ainda a coluna "Fuzzbox". Foi ali que ele começou a escrever sobre Raimundos, Low Dream, Oz, Little Quail, Maskavo Roots e outras bandas da geração 1990. Tempos depois o Carlos se tornou editor de Cultura do jornal e o "X-Tudo" durou mais um tempo até que acabou - por decisão da direção do Correio, não dele. Mas a página "Garagem" foi preservada dentro do caderno cultural e passou a ser comandada pelo jornalista Bernardo Scartezini. Até que, em 2001, o Bernardo saiu do Correio e eu, mesmo lotado como subeditor de Esportes, decidi assumir o trampo semanal apoiado, ao longo dos anos, por jornalistas como Daniela Paiva, Tiago Faria, Gustavo Tourinho e Pedro Brandt, entre outros. Fiquei durante quase seis anos editando o "Garagem" e escrevendo a coluna "Fuzzbox" até que eu deixei o jornal para assumir a direção da Rádio Cultura FM, em março de 2007.

Fellipe CDC 6) Você está afastado da produção do festival Porão do Rock, mas esteve na linha de frente por longos, produtivos e vitoriosos anos e, por essa razão, posso perguntar-lhe quais eram as expectativas iniciais e como foi participar, acompanhar e ver o crescimento dessa semente plantada alcançar o tamanho obtido?

Marcos Pinheiro - O Porão do Rock, assim como várias iniciativas no meio independente, surgiu como um coletivo de bandas e produtores. E tinha a intenção de reunir e divulgar aquele núcleo de 15 bandas iniciais que formaram o festival, cuja primeira edição rolou em agosto de 1998. Por causa do Cult 22, os projetos que tínhamos lançado e a proximidade com as bandas do DF, fui convidado a ser assessor de imprensa, trabalho que eu já fazia ocasionalmente na época. Com o tempo, o Porão foi crescendo e eu me tornei coordenador de comunicação e curador de bandas. O movimento se tornou uma ONG no fim de 2001 e passou a ter o objetivo de fomentar as bandas locais e promover intercâmbio com a cena nacional. Para isso, contribuiu iniciativas como a Revista Porão do Rock (do fim de 2000 ao início de 2002) e o programa de rádio na Transamérica FM, que entrou e saiu do ar por algumas vezes. Além dos shows avulsos, fora o festival, como os projetos "Pílulas Porão do Rock" (2007 a 2009) e as noites semanais no O' Rilley Irish Pub (2012 a 2014). O problema é que, ao mesmo tempo em que crescia como estrutura e nas relações profissionais, o Porão do Rock foi se esvaziando de novas ideias, pois quase todos que formaram a ONG foram saindo por motivos pessoais diversos. E o projeto passou a ser quase que tocado "intelectualmente" por uma cabeça só - e perdendo, na minha opinião, o seu objetivo cultural. Isso causou desgastes e desavenças para mim - e preferi sair do Porão do Rock após a edição de 2017. Ainda colaborei em 2019 durante três meses com os programas na Transamérica, mas oficialmente não faço parte de nada mais relacionado ao festival, nem à ONG. Mas desejo toda a sorte do mundo para os que ficaram e lamento que a pandemia da Covid-19 tenha impedido que o evento rolasse em 2020 - assim como tantos outros que foram cancelados e/ou adiados. Fellipe CDC 7) Um DJ geralmente vara a noite fazendo festas. Quando você começou a se aventurar por esse terreno festivo e como faz para conciliar com a sua agenda tão repleta de compromissos?

Marcos Pinheiro - Esse lance de "ser DJ" começou como brincadeira ainda na época da UnB, no final de 1987. Como já estava imerso naquele universo do rock da época, "devorava" revistas especializadas e comprava muitos discos, passei a mandar um som para os amigos em festinhas caseiras, tocando com vinis ou fitas K7 especialmente gravadas. Com o tempo fui tocar amadoramente em uma ou outra boate. Até que, com o surgimento do Cult 22 em 1991, comecei a produzir as próprias festas do programa, conhecer outros DJs de rock e ser convidado a tocar em eventos variados. Perdi a conta de quantos espaços diferentes eu já estive como DJ. Mas, mesmo sendo uma forma de ganhar um trocado extra, não me considero um profissional do ramo e nem é o meu principal "ganha pão".    

Fellipe CDC 8) O que dentro do universo das rádios mais fascina e o instiga a continuar surfando por essas ondas sonoras? Com o avanço da internet você teme que as rádios tradicionais estejam com os dias contados?

Marcos Pinheiro - Estava conversando dia desses, em outra entrevista, justamente sobre isso: o quanto as novas tecnologias ameaçam as antigas. Não preciso dizer o quanto eu amo rádio, o quanto esse veículo foi importante na minha formação profissional e pessoal. E ainda acredito que a instantaneidade do "ao vivo", a interatividade com os ouvintes na hora que estão rolando os programas, sejam musicais ou jornalísticos, é um diferencial que a máquina não substitui. Mas isso é papo pra gente que é mais "antiga" como nós (risos). A garotada, sobretudo de classes mais favorecidas, mergulhou de cabeça em plataformas de streaming, podcasts e outros meios que tornaram o rádio aparentemente obsoleto. E as emissoras, assim como os jornais, vêm tentando se reinventar com transmissões online, uso de vídeos dentro dos estúdios e a própria adesão a essas novas plataformas. Além da proliferação das webradios pelo país, inclusive no Distrito Federal, que rompem a barreira formal da rádio apenas no dial. Então, assim como o vinil foi substituído pelo CD (mas voltou a ser bastante usado nos últimos anos) e o CD deu lugar ao mp3 (mas continua existindo como mídia física), acho que o veículo rádio ainda irá perdurar como fonte de informação por muitos e muitos anos. Fellipe CDC

9) O Cult 22 é um dos programas de rock mais antigos e ativos do Brasil e tem uma importância singular dentro do cenário roqueiro local, por isso o documentário sobre essa trajetória é mais do que merecido. Parabéns! Você considera esse documentário uma das premiações mais relevantes das muitas que o Cult 22 já recebeu? Qual foi a sensação de ver o doc. sobre o Cult 22 finalizado?

Marcos Pinheiro - Esse mini documentário "Cult 22 desde 1991", lançado oficialmente em 1º de outubro de 2020, foi feito como contrapartida ao projeto do nosso programa, que em 2018 conseguimos fazer com financiamento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do Distrito Federal. Era tipo um "trabalho final", mas a verba que obtivemos não tinha esse objetivo como principal. Mesmo assim, o Octávio Schwenck, responsável pela direção e edição, fez um trabalho excelente e conseguiu, em apenas sete minutos, extrair a essência do que é o Cult 22, com depoimentos de integrantes e ex-integrantes (incluindo a participação "em off" do Carlos Marcelo), imagens no estúdio e de arquivo, vinhetas, etc. Fiquei emocionado quando vi pela primeira vez. E recomendo que os fãs assistam: está em nosso canal youtube.com/cult22rockshow. Mas para 2021, se a pandemia e o Brasil permitirem, queremos tentar algo maior para comemorarmos nossos 30 anos. Sonhar não custa (risos).

Fellipe CDC 10) Como se fosse pouca coisa para você administrar, agora o Cult 22 é, além de um programa de rock, uma rádio on line. Por favor, fale um pouco sobre esse projeto.

Marcos Pinheiro - Essa ideia remete ao próprio início do Cult 22. Quando eu e o Carlos Marcelo pensamos em criar o programa, em 1991, tínhamos em mente que Brasília era considerada a "capital do rock", mas não tinha (e até hoje não tem) uma emissora de rádio especializada no estilo, a exemplo do que existiam em São Paulo, Rio de Janeiro ou Porto Ale gre. Já que não tínhamos como montar um canal próprio, pelo menos podíamos ter um programa - mesmo que apenas semanal - que tocasse rock de todas as épocas e estilos. Com o passar dos anos, a tecnologia facilitou as coisas. Em 2013, com a ajuda do Abelardo Mendes Jr, montamos uma primeira versão da radio online do Cult 22, que chegou a fazer algumas promoções bacanas. Mas eu ainda "apanhava" tecnicamente, não sabia como operacionalizar direito. E o Abelardo estava muito ocupado com outros trabalhos. Abortamos a missão no ano seguinte. Em meados de 2018, estudando melhor as plataformas e aprendendo como fazer, decidi remontar a rádio, que ganhou maior incremento a partir de março de 2019. Desde então, fui abastecendo com muito conteúdo, subindo músicas internacionais, nacionais e locais (antigas e novas, clássicas e independentes) e tornando a programação do canal uma extensão - 24h por dia, todos os dias - do próprio programa Cult 22. Para chamar a atenção dos ouvintes, fizemos sorteios exclusivos por lá para vários shows e ainda ganhamos o apoio de uma fabricante local de cervejas artesanais. Em 2020, incluí mais programas, alguns retransmitidos a partir de parcerias com outras webradios - "Canção Demodê", "Carbono 14", "Magnéticos", "RockDaqui" e "Zine-se" - e um exclusivo, o "Substance". Criei uma transmissão ao vivo nas terças-feiras e festas virtuais nas noites de sábado, com discotecagem minha ou de DJs convidados. Somando com o "Mundo Rock" (especiais com bandas ou artistas que fiz para a Cultura FM, entre 2016 e 2018, e retomei em 2019) e com a própria retransmissão online do Cult 22 nas sextas-feiras, hoje temos 10 programas especiais na grade da Radioweb Cult 22. O player fica no alto de nosso site/blog www.cult22.com Fellipe CDC 11) Após a pandemia podemos esperar por mais alguma edição do Cult 22 Festival? E já que falamos em produção, será que depois que a vacina contra a Covid sair, o povo voltará a frequentar eventos, visto que o período que antecedeu a pandemia o cenário rocker assistiu a uma drástica e vertiginosa queda na quantidade de pessoas prestigiando shows de rock?

Marcos Pinheiro - O que virá depois da pandemia no meio cultural é a grande "pergunta de um milhão de dólares": difícil de responder. Se para o rock nacional já estava muito ruim antes, nem sei o que poderá acontecer daqui por diante. Da minha parte, sendo sincero, a experiência ruim que tive com grande parte do público e das próprias bandas na época do Cult 22 Rock Bar (2011 a 2013) me fez desanimar demais com a produção de shows independentes. Trabalhei em vários eventos desde então, mas, como produtor, o Cult 22 só fez dois shows nos últimos sete anos. Um em 2013 e outro no ano seguinte. No mais, foram apenas festas com DJs. O último festival que organizamos foi o de 20 anos do programa, em dezembro de 2011, ainda no nosso bar. Mas como nunca se deve dizer "nunca", quem sabe com os 30 anos do programa, em outubro de 2021, a gente se anime a fazer alguma coisa? Vamos ver... (risos) Fellipe CDC

12) Cult Gol e Cult Cover Demo. Foram duas ideias sensacionais. Fale um pouco sobre elas e se podemos nutrir alguma esperança de que novas edições desses projetos sejam novamente produzidas?

Marcos Pinheiro - Curioso como o "Cult Gol", que teve apenas uma edição em 2002 (!), ainda possui essa memória afetiva para boa parte dos que participaram. A ideia surgiu a partir da parceria com o Kennedy Bitencourt, da KB2 Produtora, que tinha sido responsável pela Revista Porão do Rock - e no mesmo ano fez com a gente o Festival Cult 2002 no auditório do Sesc (713/913 Sul). Anos depois, ele produziu várias edições do Festival Rolla Pedra. Aproveitamos a "vibe" da Copa do Mundo, antes mesmo do Brasil se sagrar pentacampeão, para organizar um torneio de futebol society com integrantes de bandas locais diversas. Foi muito divertido e teve até cobertura dos noticiários locais de TV. Pensei em fazer outros, inclusive recentemente, mas ficou só na ideia até agora. Já o projeto "Cult Cover Demo", que lançamos em outubro de 1993, de certa forma foi reeditado no final de 2006: convidamos 20 bandas para fazerem regravações, só que dessa vez tinham que ser versões de outras bandas do DF. Tiveram convidados regravando e sendo regravados, casos de Bois de Gerião e Prot(o). Essas versões e outros lançamentos do Cult 22 estão disponíveis em nosso site/blog no link www.cult22.com/blog/radiografia/mp3 Fellipe CDC

13) Marquinhos, obrigado. Vou finalizar para te deixar livre para os seus outros mil afazeres, mas antes quero que responda as últimas perguntas: olhando para trás, você faria tudo novamente? E o que o Cult 22 representa para você?

Marcos Pinheiro - Brinco que o Cult 22 é meu "filho mais velho", já que o meu filho mesmo, Victor, tem 23 anos, seis a menos que o programa. Tenho grande orgulho do que fizemos até aqui e das pessoas com quem trabalhamos nesse longo período. É uma história construída por muita gente, eu apenas fui um fio condutor, o elo nessa corrente. Mesmo quase não dando retorno financeiro, o programa abriu muitas portas para mim, permitiu que tivesse acesso a grandes shows e festivais e, por tabela, que trabalhasse com eventos diversos - além da criação de outros produtos e plataformas com a nossa marca. Valeu o investimento de tempo e de dinheiro e faria tudo de novo. Só lamento não termos armazenado quase nada de arquivos de áudio e imagem de programas mais antigos, sobretudo dos 10 primeiros anos, que fazem muita falta em nosso acervo. E da experiência do Cult 22 Rock Bar, que foi muito prejudicial financeiramente. Mas serviram como aprendizado, isso é o que vale. Enquanto tivermos energia - e nos deixarem -, o Cult 22 segue por muito tempo ainda.


Site Escola de Rock Entrevista com: Marcos Pinheiro Entrevistado por: Fellipe CDC

 
 
 

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