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FÁBIO GUEDES, VULGO FRAJOLA!

  • 18 de ago. de 2020
  • 9 min de leitura

Conheço o Fábio Guedes, vulgo Frajola, há mais de 2 décadas. Já trabalhamos juntos por um curto período, já tocamos em uma mesma banda e agora estamos produzindo e apresentando o programa ZINE-SE pela Rádio 4 Tempos. Por tudo isso e por reconhecer a sua importância para a nossa cena cultural, digo que será um grande prazer fazer essa entrevista. Então, vamos lá. Obrigado por ceder seu tempo e responder essas perguntas para o site Escola de Rock, senhor Guedes.


Fellipe CDC

01) Desde quando você deixou de ser o Fábio Guedes para se tornar o Fábio Frajola ou, para muitos, apenas Frajola? Esse apelido veio contigo antes ou depois de você adentrar o fascinante e salvador universo roqueiro?


Frajola

Grande, CDC! Obrigado pelo convite! Muito legal essa iniciativa do Escola de Rock, a cultura underground só tem a ganhar com mais esse veículo de divulgação. Então, se bem me lembro, esse apelido foi dado por você, na época em que eu frequentava a loja Head Collection. Por alguma razão, você achou que eu deveria ter um apelido. Lembro-me que, a primeira opção era Frangolino. No entanto, a Miriam advertiu que poderiam fazer confusão com o Frango (hoje Frango Kaos). Então, a segunda opção foi Frajola. O apelido já tomou status de nome. Muita gente nem sabe que me chamo Fábio. Toda minha família me chama de Frajola, incluindo aí Mãe, irmã, sogra, cunhados, e até meu filho, Kalel. Certa vez, o Paolo (Zenor Records), veio aqui em casa, e procurou por Fábio (Que também é o nome do meu cunhado). Minha sogra disse que “o filho dela” não estava, e o Paolo ficou SM entender, uma vez que ele já tinha ido a minha antiga casa, na Candanga, e conhecido minha mãe. Demorou alguns minutos para minha sogra associar que o Fábio procurado era o Frajola. Rsrsrsrrsrs. Acabou virando meu nome.


Fellipe CDC

02) Meio manco, manco e meio, criatura de beleza exótica, você, certamente, tenha sofrido muito bullying durante a infância e a adolescência. Como lidava com essas situações no passado no passado, como lida hoje e o que recomenda em caso de bullying?


Frajola

Fui uma criança manca na década de 80, e um adolescente manco na década de 90. Época em que a “zueira” não tinha limites. Aí, imagine o quanto fui zoado! Minha defesa era ser mais zoeiro que todo mundo, assim, os “moleques” teriam receio em me zoar, e acabarem sendo mais zoados. O pessoal fala que antigamente as pessoas não se importavam com o bullying como hoje, que essa geração é “fresca”. Mas, hoje tenho ciência do quanto a gente pegava pesado nas brincadeiras. E se uma brincadeira pode deixar alguém magoado, ela não é de nenhum jeito engraçada.


Fellipe CDC

03) Seus tios (Cláudia e Francisco Tchesco) foram os responsáveis por apresentarem o rock para você? Ainda sobre o rock, qual  primeiro disco que ouviu e qual a primeira demo-tape?


Frajola

Morei com minha avó até meus 12 anos, então a Cláudia e o Tchesco são mais irmãos que tios. Meus Tios/Irmãos mais velhos já ouviam muito Rock em casa. Coisas tipo: Pink Floyd; Led Zeppelin; Queen (que era a banda favorita do meu tio Didi), Oingo Boingo, e as bandas de Rock Nacional dos anos 80. Ou seja, lembro de acompanhar o lançamento dos primeiros da Legião Urbana, Titãs, Nenhum de Nós e Engenheiros do Havaí. Então, essa foi minha base de Rock. Já Metal e Hardcore, que me apresentou foi o Tchesco, no começo da década de 90. Ele gravava muitas fitas pra mim. De coisas mais conhecidas, como Metallica e Iron a bandas mais undergrounds (na época) como Samael, Deicide e Edge of Sanity. Já a Cláudia é mais nova que a gente, então acredito que ela quem sofreu influência nossa. Não tenho certeza da primeira demo que ouvi, pois o Tchesco gravava LPs e demos na mesma fita. Ou seja, na mesma fita em que gravou o primeiro do Benediction, tinha a demo do Roasting no lado B. Lembro das primeiras que comprei, que foram Circle of Menstruation, da Death Slam e a oficial da Valhalla.


Fellipe CDC

04) Quando e como surgiu o seu interesse pelos impressos ultra independentes chamados de fanzines?


Frajola

A primeira vez que vi um fanzine, foi quando descobri por acaso uma lojinha no Setor P Norte. Era uma edição do Metal Blood, e lembro que o valor era bem menor do que o das revistas que tinham lá, então comprei-o! Foi amor à primeira vista, pois no fanzine tinha muita banda que eu já conhecia, por meio das gravações que o Tchesco e o Juliano (Catholic) faziam pra mim. Muita banda que tinha nesse Metal Blood, eu não via na Rock Brigade, por exemplo. E isso despertou demais meu interesse pelos fanzines. Então comecei a escrever para os zines cujos flyers estavam no Metal Blood, e fiquei de cara, pois a maioria respondia!


Fellipe CDC

05) Aproveite e fale sobre o seu fanzine, o Acid Farted??


Frajola

Como os fanzineiros respondiam, as cartas viam cheias de flyers de bandas. Então comecei a escrever para elas também. Nessa época, conhecia o Luciano Banana (Isolate), que me deu mais um monte de flyers e alguns releases, e quando vi, já estava com bastante material, então decidi fazer um fanzine. O nome Acid Farted é uma referência à banda Who Farted?, que eu já gostava muito. O Primeiro número saiu em 94, e o zine na versão impressa durou até 2011 ou 2012. Depois montei um blog, mas, não consegui tempo para mantê-lo atualizado.


Fellipe CDC

06) O fato de ter optado pelo curso de jornalismo tem algo a ver com a sua ligação com os fanzines? Aproveite a deixa e comente sobre o seu documentário, que foi o seu trabalho de conclusão de curso, certo?


Frajola

Com toda certeza. Uma das principais razões pela qual eu optei pelo curso de jornalismo foi meu envolvimento com fanzines. Já no início do curso, minha intenção era fazer minha monografia abordando a importância dos fanzines. Quando soube que o TCC poderia ser um produto, pensei em fazer uma revista, mas depois mudei o optei pelo documentário. Apesar de todo o trabalho que deu, em especial, por conta da faculdade não oferecer o equipamento, gostei muito de ter feito. Gostaria de ter entrevistado mais pessoas, e feito um vídeo maior, mais a orientadora limitou a duração. São cinco personagens que contam um pouco sua história dentro do universo fanzineiro. Indo da descoberta da existência do impresso alternativo até o advento dos web-zines. Quem quiser conferir, está no Youtube, basta procurar: Fanzines – A Espinha Dorsal do Underground.


Fellipe CDC

07) Oreia Seca, Sanctis e Slam Noise Terror. Fale um pouco sobre essas suas extintas bandas.


Frajola

Oreia Seca foi minha primeira banda. Existiu entre o início de 94 e final de 95. Eu fiquei um ano na banda, fazendo apenas um show. O som era Hardcore, com influência de bandas candangas, como DFC e Os Cabeloduro. Quando ainda estava na Oreia Seca, fui convidado a integrar a Sanctis, e fiquei nas duas bandas por alguns meses. No final de 95, saí da Oreia Seca, e fiquei apenas na Sanctis, que fazia um som mais na linha que eu queria. A Sanctis era muito legal, e fiquei nela até 96, quando a banda acabou, após a saída do baterista. Nas duas bandas, fiz amigos que carrego até hoje, como o Paulinho, do Samamba Rock, que tocou comigo na Oreia, e o André (atualmente no Who Farted?) e o Ronaldo, com quem toquei na Sanctis.



Fellipe CDC

08) E como foi a sua passagem pela banda Who Farted?


Frajola

A Who Farted? é uma banda que sempre gostei. Acompanhava os ensaios e os shows na década de 90. Quando soube que o Djalma e o Ademir planejavam voltar, me ofereci para ser o vocalista. Fiquei na banda de 2013 a 2018. Mas, infelizmente não consegui conciliar com os trabalhos com a Seconds e com o Zine-Se, então resolvi sair, pois percebi que estava atrapalhando. Tanto que, em 5 anos que fiquei, fizemos apenas dois shows, e compomos pouca coisa nova. No entanto, fiquei muito feliz por terem chamado o Mauro, que é um grande amigo, e tocou comigo na Seconds, em 2002/2003. Minha saída deu um UP na banda, e os caras estão a mil!! E isso é muito bom! Antes de sair, pude indicar o André, que havia tocado comigo na Sanctis, para ser o guitarrista, e ele continua na formação.



Fellipe CDC

09) A Seconds of Noise já existia antes de você fazer parte da formação, porém, não se pode negar que a banda ganhou um rumo, um forte impulso e mais vida após a sua entrada. Será que os outros músicos concordariam com essa visão? E você, concorda com o meu ponto de vista?


Frajola

A Seconds foi formada em 93, e eu entrei em 95. Antes de eu entrar, a banda só tinha feito um show, e ainda não tinha gravado material. Não sei se esse UP se deu em razão da minha entrada. Pra ser sincero, nunca havia pensado nisso. Sei que com a minha entrada, a banda ganhou mais divulgação, pois sempre gostei dessa parte, tanto que fiz pós-graduação em Assessoria de Comunicação. Desde a minha entrada, que cuido disso, e gosto muito!


Fellipe CDC

10) Fale brevemente sobre o passado, o presente e o futuro da Seconds of Noise.


Frajola

A Seconds foi formada em outubro de 93. Acompanho a banda desde o início, pois o meu tio Tchesco era o vocalista, então, eu sempre ia aos ensaios. Quando o Tchesco saiu, o Wellington (na época da Who Farted?) entrou no lugar dele. Porém, essa formação durou bem pouco tempo, e com a saída do Wellinton eu passei a cantar na banda. Desde então, a gente fez bastante coisa, nos últimos 25 anos. Gravamos demos, EPs, o disco Hell is Here, participamos de coletâneas, e tocamos bastante, desde pequenos eventos a festivais maiores, como Porão do Rock, Samamba Rock e Ferrock. Ainda temos muita lenha para queimar. Estamos prontos para entrar em estúdio, para a gravação de material novo, aguardando apenas passar essa loucura da pandemia. Posso adiantar que esse trabalho virá na linha do EP Greed, e terá a produção do nosso amigo Le Misanthrope, um cara que a cada dia surpreende pela qualidade de suas produções. Aguardem!



Fellipe CDC

11) Antes de trabalhar na loja Porão Rock Wear (antes Porão 666), você trabalhou como apontador (vulgo X 9, dedo duro, etc) em algumas empresas. Você chegou a sofrer alguma ameaça física ou verbal por parte das pessoas que delatou? E sobre os anos que passou na Porão 666, quais as melhores lembranças?


Frajola

Essa fase de apontador foi cabulosa!! Uma vez um cara veio pra cima de mim com uma pá, porque escrevi “Falta”, de caneta vermelha no cartão de ponto dele. Acho que foi a situação mais tensa!! Além desse trampo de apontador, trabalhei como fiscal em uma empresa de transporte coletivo, e atualmente, faço auditoria de chamadas telefônicas em uma empresa de telecomunicações. Acho que a minha sina é trabalhar caguetando os outros. Rsrsrsrrsrsrs. Fiquei 10 anos na loja Porão, sendo metade como vendedor, e a outra metade como gerente. Foi um período muito especial da minha vida, que guardo com bastante carinho. Fiz muitas amizades lá, e foi lá que conheci minha esposa. Até hoje as pessoas me encontram em shows e contam alguma história de lá! Inclusive tem gente que diz que eu deveria escrever um livro, contando algumas dessas histórias. Quem sabe um dia...


Fellipe CDC

12) O Capitão Barbosa, guitarrista e fundador da Terror Revolucionário, te deu um vídeo cassete e algumas fitas VHS, com isso você digitalizou e disponibilizou o conteúdo na internet. Como exatamente funciona essa parceria e o que vocês propõem com tal trabalho?


Frajola

O Barbosa soube que eu tinha um canal do Acid farted Zine no Youtube, e que eu havia digitalizado algumas fitas VHS do Nildo (Embalmed Souls) e do Sérgio Not (Cães de Guarda), então perguntou se eu poderia digitalizar umas fitas que ele tinha em casa. Respondi que sim, e ele trouxe aqui em casa, junto com um vídeo cassete que ele tinha guardado em casa há mais de 15 anos. Conforme fomos digitalizando, a gente viu que tinha muito material ainda inédito na web, e decidimos postar no canal do Acid Farted. Tem sido muito massa. Tem muito conteúdo que nem a galera das bandas tinha, e eles ficam muito surpresos e agradecidos, quando a gente manda os links pra eles, como aconteceu com o Fabião, do Olho Seco, e com o Gabriel, ex-Little Quail e atual Autoramas.



Fellipe CDC

13) Para encerrar, fale um pouco sobre o o ZINE-SE e de como o programa está se virando durante esse tempo louco de pandemia. Mais uma vez, obrigado por aceitar o convite do site Escola de Rock para essa entrevista. Cuide-se e beijos na família!


Frajola

Como todos que acompanham o programa sabem o carro do Zine-Se são as entrevistas. No começo da pandemia ficamos tristes, pois sabíamos que não teria como nos reunir no estúdio para gravar. Ainda bem que você, meu nobre amigo, teve a ideia de fazermos especiais. Isso foi uma boa alternativa, assim, o programa não precisou parar. Já fizemos especiais com discografias de bandas underground, outros dedicados a festivais e até a selos de vital importância para o underground. O mais importante é não deixar de transmitir o programa. Só acho uma pena que você seja tenha aversão à tecnologia, e não tope gravar via Zoom ou Google Meet, tenho certeza de que o público gostaria bastante. Então o Zine-Se segue com produção de nós dois, e apresentação apenas minha. Vamos torcer para isso tudo passar logo, pois já tem uma galera dizendo que quer ser entrevistado no programa. Agradeço demais pelo convite para participar do Escola de Rock, e poder contar um pouco da minha trajetória. Nos vemos nos eventos, quando tudo normalizar!


SITE: ESCOLA DE ROCK

Entrevistado: Fábio “Frajola”

Entrevistado por: Fellipe CDC

 
 
 

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