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FOFÃO | BESTHöVEN

  • 25 de out. de 2020
  • 25 min de leitura

Fofão (exatamente por conta do personagem da Rede Globo, o qual evangélicos acusavam que o boneco vinha com uma espécie adaga entre panos, borracha e espuma que revestiam), é oriundo do Gama, uma das mais importantes cidades rockers do Distrito Federal, e, como tal não poderia negar a raça. Entre bandas, projetos musicais, produções, fanzines e ativismo sócio-político, o garoto Fofão passou rapidamente de coadjuvante para o papel de ator principal. E assim permanece até hoje. Conheça um pouco mais sobre essa figura icônica durante esse bate-papo...


Fellipe CDC:

01)Fofão, obrigado por aceitar trocar uma idéia e expor um pouco da sua vivência para o site Escola de Rock. Seja bem-vindo e espero que aprecie a viagem. Para começar, o que a música significa em sua vida? E o fato do seu irmão mais velho ser músico, influenciou o seu processo de escolha?


Fofão:

Primeiramente; muito obrigado Felipe, pelo espaço e pela troca de ideias meu velho! É um prazer trocar essa ideia com um figura como você que vem batalhando pelo underground por anos e anos sem descanso!!


Sinceramente acho que o underground do DF tem muito a te agradecer por tudo velho! Dos anos e anos na linha de frente, na organização de eventos, no mundo da fanzinaria e no acreditar na força disso tudo!!


Simplesmente dizendo; sem a música, a vida não teria sentido algum ! ponto. Falando pessoalmente, a música sempre esteve envolvida na minha vida, desde meus primeiros passos, venho de uma família pequena, porém festiva, então consigo lembrar do velho toca-discos tocando em casa, desde quando eu era um molequeinho, um pirralho, e as festas com amigos da família, bebendo, dançando e cantando alto ! então já nos tempos de escola, tínhamos aulas de música, uma vez por semana, isso nos dois primeiros anos de escola, tipo “prézinho” e “primeiro ano”, lembro da professora trazendo aquele toca-discos portátil, laranjado, estilo maleta, com as caixas de som já embutidas, que funcionavam à energia ou pilha! Ali a gente, ainda criancinhas, aprendendo a cantar várias musiquinhas, então posso dizer que fui uma criança de sorte! Por assim dizer!


Quanto ao lance do meu irmão, na verdade, eu sou o mais velho, meu irmão é bem mais novo, mas sim!! Ele também é músico! na verdade, eu venho de uma família de músicos! Meu pai tinha uma banda estilo “jovem guarda” e eles ensaiavam na nossa velha casa, eu ficava passeando no meio dos cabos na hora do ensaio, cresci no meio de uma “casa estúdio” praticamente, e ficava ali torcendo pra eles fazerem uma pausa, pra eu poder tentar tocar bateria!! Hahaha, às vezes dava certo...pra você ter uma ideia, tinha uma guitarra velha, ruim pra caralho, uma “Tonante” saca?, ela ficava jogada lá e eu não via ninguém da banda usando ela, então eu pedí timidamente, para que eles me dessem aquela guitarra, e eles me deram !! foi minha primeira guitarra, e foi com ela que por muitas vezes trancado no quarto, eu aprendi a tocar sozinho, primeiramente ouvindo fitas k7 da Ramones e tentando tocar, e porra...deu certo!! De repente você crescer numa família de músicos e ninguém te ensinar a tocar, pode ser até estranho, mas foi assim que aconteceu, e ainda bem!, porque assim me senti seguro e independente, então nunca tive “medo” de tentar outros instrumentos, porque eu sabia que eu ia conseguir aprender a tocar também...


Além do meu pai, meu avó também tocava, meu tio já tocava também e ainda toca até hoje, é compositor e professor de música, e entre outros, meu irmão mais novo é um puta músico de mão cheia, toca dezenas de instrumentos e pra continuar a saga, hoje meu sobrinho de 20 anos também é um excelente músico e toca em algumas bandas aqui no Gama de Rock e Metal !!

Certeza que a música tá pesada no sangue dessa família...

Música para mim é tudo, é um vicio bom, para mim, tudo gira em torno de música, agora mesmo estou ouvindo um LP da banda Kontatto da Itália, enquanto respondo esta entrevista, até mesmo na rua quando saio, estou sempre de fones de ouvido, hora ouvindo sons no mp3 do celular e horas ouvindo tapes em um dos dois velhos walkman! diversas coisas entre punk, metal e gothic, que são os sons que ouço e amo...

Fellipe CDC:

02) E quando o punk começou a fazer parte do seu cotidiano? Aliás, o que o punk representa para você e como analisa a evolução desse movimento contra cultural ao longo dessas 3 últimas décadas?


Fofão:

Bom, desde 1984, ainda muito muito criança, já vidrado em quadrinhos (Marvel & DC) e também em cinema, eu e meus amigos começamos naturalmente a ouvir e colecionar Rock ! Colecionar mesmo! Às vezes ligávamos para programas de rádio que tocavam Rock e fazíamos pedidos de um orelhão, porque telefone era muito caro naquela época! E voltávamos pra casa para poder gravar os sons em fitas k7, depois comprando além dos gibis na banca, também toda e qualquer publicação que falasse sobre rock, incluindo revistas e também jornais, caso a gente visse que tinha alguma entrevista de bandas, começamos ouvindo rock brasileiro antigo; Hojerizah, Violeta de Outono, Finis Africae, IRA!, Camisa de Vênus, e tantas outras, na verdade eu ainda gosto e ouço essas mesmas bandas também! Mas foi vendo as camisetas de bandas que esses caras usavam nos 80 e também lendo as entrevistas deles e eles sempre citando outras bandas do exterior que influenciavam eles, é que fomos conhecer o Punk, o Metal e o Gótico...e em pouco tempo estávamos ouvindo Ramones, Cólera, Pistols, Sister of Mercy, Siouxsie....e aí fodeu tudo em nossas vidas (no bom sentido da frase), em pouco tempo estávamos já fazendo nosso visual, pintando patches e camisas à mão, e começando a montar nossas primeiras bandas, à fazer nossos primeiros zines...e nos virando para comprar e colecionar discos de vinil também...


O Punk é algo natural, tá dentro da gente meu, é um conjunto do que você é e do que você pensa, e do que você sente, você vai descobrindo isso quando você vai sentindo as afinidades daquilo tudo, quando você ouve uma banda cantando sobre um tema e falando praticamente o mesmo que você pensa; quando você pensa sobre anti-racismo, quando você se preocupa com a vida animal, quando você contempla uma sociedade de zumbis que só pensam em si mesmos, em um mundo cruel e desumano, quando a imagem de uma criança de rua dormindo no chão te deixa triste....então quer dizer que você pensa diferente do resto das pessoas, e no punk eu vi um espelho, um reflexo sobre tudo que penso, e sobre tudo que acredito e desacredito, é um processo natural, espontâneo, o tempo passa e de repente você tá em um palco cantando sobre tudo isso, coletando alimentos, agasalhos, para pessoas carentes, fazendo a diferença nessa merda de mundo injusto, e por mais que possa parecer “pouco”, eu creio realmente que não é!


Eu creio que o punk é um fator que nunca vai acabar, porque sempre existirão pessoas que pensam diferente e que querem fazer a diferença! Pessoas que não se deixam levar pela superficialidade desse mundo de ilusão, de grifes, roupas e carros caros, de ostentação, sempre existirá um cara, uma mina que por vontade própria vai parar de comer carne, vai fazer a diferença nessa merda de mundo fodido, com personalidade e garra pra resistir...


E é claro, o lado cultural sempre pesado, com bandas novas surgindo, produzindo, fanzines... é uma cultura muito forte no mundo todo, e se mantém fodidamente viva e ativa e sempre resistindo às imposições desse mundo autodestrutivo e cruel...

Fellipe CDC:

03) Aborto Podre foi a sua primeira banda. Isso foi em 1989. O que essa experiência inicial te ensinou – e que você continua colocando em prática até os dias atuais?


Fofão: Sim, isso foi em 1989, e foi muito foda, porque éramos quatro amigos aqui da minha quebrada, entre as queridas quadras 03 e 04, era um punk e três headbangers tocando juntos, eu já havia ganhado minha primeira guitarra, e o Manél comprou um baixo também da Tonante, nossa primeira bateria nós montamos com enormes latas de doces, panelas e outras ferragens, os suportes de madeira dela ficavam enterrados no chão pra não se mexer,  e dessa forma aconteciam os ensaios, uma coisa legal é que estávamos aprendendo a tocar juntos, já fazíamos nossas próprias músicas e letras, nunca pensamos em começar tocando música dos outros saca ?

E nesse mesmo ano, 3 integrantes já faziam zines! eu fiz o meu primeiro zine que era o Anestesia! O vocalista Flávio Death fazia o Death of Mass zine, e o Manél tinha um também, que eu até cheguei a desenhar os flyers, mas não consigo me lembrar o nome agora! E já tínhamos contatos fora do DF por correspondência, isso era bem normal no underground local, ninguém, queria ser expectador! Todo mundo estava envolvido com bandas e/ou zines ! era foda!


O nome da banda, embora hoje eu ache feio, era uma homenagem à DISSECTOR! Aborto Podre era o nome de uma música deles...

A gente tocava grind raízão, já estávamos pirados em Dissector, Necrobutcher, Brigada do ódio, Extreme Noise Terror, Ruído de Rabia... e porra, o Grind foi o estilo que unificou o punk e o metal no Gama definitivamente né meu...

E porra, a Aborto Podre foi minha porta para outras bandas, para começar outras histórias, alí eu ví que era realmente o que eu queria! continuar tocando, continuar trabalhando com música, começar outras histórias né meu... experiências e ensinamentos que vou levar pro resto da vida!


Eu fiquei com eles por um ano e em 1990 fui montar a Besthöven, com três amigos de cidades diferentes, a Aborto Podre continuou com outras formações até 1993, gravando demos e continuando ativa...


Fellipe CDC:

04) Antes de falarmos sobre a Besthöven, dá uma rápida passada pelas histórias das bandas M.i.C e T.F.P, por favor.


Fofão:

bem, a MIC foi formada em 1992, e infelizmente não seguiu em frente, o que é uma pena, porque os poucos ensaios que fizemos, no saudoso estúdio Caústico Lunar, foram realmente muito bons! A MIC era eu na bateria, no baixo tinha o Manél (ex Aborto Podre), na guitarra o Keilo (na época, segundo guitar da Infame) e na voz o Rogério Necrodeath (editor do excelente zine Rotten Vomit), mais uma vez, tocando grind ou Deathgrind ! além da experiência do Keilo que sempre foi um guitarrista foda! Tinha o vocal monstro do Rogério, que ainda fazia letras muito fodas! Às vezes no guardanapo na hora do lanche ou onde pintasse uma ideia, não consigo lembrar porque paramos, realmente, mas creio que teria sido foda continuar, essa banda tinha tudo pra ser brutalíssima...ensaiamos 3 ou 4 vezes, se não me engano...


A T.F.P. “Terror Fome & Poder”, foi formada em 1992, e fazia um hardcore/grind brutal, posso dizer que fortemente influenciado por Sore Throat e Rudio de Rabia, entre outros...por volta de 93, dois integrantes saíram; o baixista e o vocalista, nisso, Frango(que era guitarrista), pulou para o baixo e me convidou para a guitarra, e veio também o Luydson para o vocal, com essa formação nova a banda mudou muito, muito mesmo, virou uma outra banda, minhas influencias já eram mais europeias pro lado da suécia, ou bandas como Varukers por exemplo, eu estava querendo encontrar uma distorção pra guitarra mais limpa, mais suave, pesada mas que ao mesmo tempo você conseguisse entender os acordes, o 12 “Massacred Millions” da Varukers me influenciou muito nisso, o próprio vocal do Luydson era bem limpo também e também me fazia lembrar um pouco de Varukers, e o som e as influencias mudaram muito o rumo da sonoridade da banda, as linhas de guita e baixo se encaixavam pra caralho, e isso era legal pra caralho, porque conseguíamos criar músicas muito diferentes até mesmo do que a gente tava acostumado à fazer em nossas outras bandas saca ? creio que a T.F.P. nessa época era uma banda muito original no final das contas...tivemos ainda o André Galego na bateria, que tinha uma batida muito europeia também e que complementava pra caralho o que nós estávamos buscando quanto à sonoridade...a banda acabou em 1994...



Fellipe CDC:

05) O seu envolvimento com o universo do cenário gótico deu vida a duas bandas seminais para o estilo dentro do DF, logo, gostaria que fizesse um resumo das carreiras da Lupercais e da Vultos?


Fofão:

Na verdade, no caso da Lupercais, eu era um fã que virou membro saca ? acompanhei o trampo da Lupercais desde os primeiros ensaios em 1995, e ainda em 1995 fui convidado para ser o guitarrista, e isso foi foda demais pra mim, eu pirava muito no trampo deles, eu cresci ouvindo rock brasileiro que sempre tiveram influencias do dark 80´s, e queria um dia montar uma banda assim, e acabei entrando na banda que eu mais curtia daqui, na verdade a única do estilo na época em atividade, e ainda formada por amigos queridos da minha city, eu entrei com gás total, já cheguei dando uma nova roupagem nas músicas antigas, mudando e acrescentando nas guitarras e também compondo várias músicas, grande parte das músicas foram feitas em ensaios com voz e violão, somente com eu e o Sidney, onde eu desenvolvia a melodia e ele munido de uma enorme pasta de letras e poemas dele, para escolher uma para assim surgir uma nova canção! Depois a gente levava pro ensaio no estúdio com todo mundo...e ali acontecia a magia; a hora de cada um colocar sua “alma” na música nova, além de guitarra, eu fiz também backing vocals, e trouxe outros instrumentos para a banda como teclado e violão, onde nos shows eu me revezava entre estes instrumentos...


Infelizmente a banda acabou em 1998, com a morte de nosso querido amigo Sidney...

Mas até hoje a poesia dele e a música da Lupercais continuam ecoando, como um “Eterno Retorno”, recentemente foram relançados em duas fitas k7, toda a discografia da banda! pelo selo Vlad tapes de SP, e também foi lançado pela primeira vez em LP e como um split com a banda Pompas Fúnebres, algumas músicas da banda, eternizando mais ainda este trampo! o LP foi lançado por amigos em torno do Sebo Clepsidra também em SP!


Outras coisas da Lupercais serão lançadas em breve ainda, mas por enquanto é segredaço blz?

Quanto à Vultos, em 1999, um ano depois do fim da Lupercais, eu sentia muita falta de tocar post-punk/gothic rock, então decidi começar a Vultos, na verdade, a Vultos seria um projeto, onde eu gravaria tudo sozinho, mas um ano depois, em 2000, já com várias músicas prontas e louco pra começar a gravar, fui convidado por dois amigos da Santa Maria(nossa cidade vizinha), para montar uma banda post-punk, o que aconteceu foi que mostrei as músicas prontas da Vultos e eles gostaram pra caralho, daí montamos a Vultos como banda!


Algumas formações diferentes depois, três discos lançados, além de participar da coletânea “De Profundis”, e também uma série de shows pelo DF e GO, a banda acabou em 2005...

Na Vultos eu era guitarra e voz, desde o início...

Alguns relançamentos da discografia da Vultos estão para sair também !! mas também é segredaço!

E ambas as bandas, eu fiz cds piratas com a discografia e liberei tudo para free download também, em vários blogs de amigos pela web...

Fellipe CDC:

06) Você entrou na Besthoven com o processo  musical já em andamento e acabou se tornando a própria imagem da banda. Quando notou que isso estava acontecendo e como foi a reação dos integrantes originários?


Fofão:

Na verdade, os primeiros caras que iam tocar na banda, nem queriam tocar, o amigo Rato foi o primeiro baterista, mas já tava com mudança marcada para São Paulo, só ia ficar um tempo na banda, por exemplo, o Repolho tava feliz porque ia tocar baixo, ele queria ficar no baixo, pois já tocava bateria na Desakato à Autoridade e em outras bandas de rock, só quem queria mesmo levar a banda fodidamente à sério era o guitarrista Robson, e eu que fui pro vocal ! a afinidade com o Robson musicalmente era dantesca, a gente ouvia as mesmas bandas, trocávamos materiais de bandas quase toda semana, e tanto eu como ele fazíamos músicas novas aos montes e levávamos pro ensaio, com a saída do Rato, O Repolho teve que ir para a bateria e lá ficou condenado como baterista pelo simples fato de não acharmos baterista, ou achar bateristas que ficavam por muito pouco tempo na banda.


Por muito tempo ficamos assim, eu voz, Robson guitarra e Repolho bateria, e eu ia tapando os buracos, às vezes fazia baixo e voz, ou bateria e voz ou guitarra e voz, quando alguém faltava show ou ensaio...


Em 1994, tivemos que tirar o Robson, e isso foi muito pesado, éramos muito jovens e radicais, e minha ansiedade de botar a banda pra funcionar era imensa; vacilou tá fora, furou show tá fora (na verdade ainda sou assim nesse fator...) E fiquei sozinho com a banda no final de 1994, pensando seriamente em continuar sozinho, sem voltar a fazer uma formação fixa, cansado de ficar trocando membros constantemente e o resto é história....

07) Em algum momento você imaginava ou almejava que a Besthöven se tornasse algo tão grande e tão importante para o cenário punk mundial? Como a sua família enxerga esse fato?


Fofão:

Nada meu, não mesmo!! De rocha... quando montamos a banda, éramos crianças, crianças punks! A gente só queria ter nossa banda, fazer nosso som, nossas letras, tocar com nossos amigos e para nossos amigos, sempre foi assim...

E sei lá, acho que essa humildade que a banda tem, ajudou muito nisso tudo, à partir de 1995 quando comecei a gravar sozinho, comecei a escrever cartas para várias bandas que eu gosto do exterior além dos amigos do brasil é claro!, eu entrevistava as bandas pro meu zine e trocava materiais de bandas do brasil com materiais de bandas de lá, mandei muita coisa daqui do brasil pra fora, incluindo bandas antigas que já haviam acabado, porque acho muito importante manter a memória disso tudo viva! Eu ouço bandas do Japão dos anos 80 que não existem mais e mesmo assim adoro essas bandas!! Então acho que é legal mandar bandas antigas também daqui pro pessoal do exterior poder conhecer um pouco dessa história saca?

E já nas primeiras respostas que tive do exterior pintaram convites para a Besthöven participar de compilações em tape e em vinil! No Japão, Finlândia e Canadá! de acordo foram saindo os primeiros discos e também as demos foram sendo distribuídas em outros países por selos, distros e lojas, os convites para lançamentos e também entrevistas para zines começaram a surgir um após o outro, e até hoje nunca parou !!!

Sei lá, de repente a banda ficou mais conhecida e curtida lá fora do que aqui no brasil na época saca?

Mas é algo natural também, pois eu estava em contato com bandas que fazem o mesmo som, meu som é influenciado por Suécia e Japão praticamente, então muita gente lá fora acabou curtindo também....

É um processo natural, é resultado de um trabalho foda e forte, hoje tenho em torno de 100 lançamentos com a Besthöven no mundo quase todo e continuo ativo, o disco novo tá indo pra fábrica agora na França, e o próximo tá na minha cabeça e já passando para o “papel”, pois já comecei a gravar no último sábado!

Porra, quanto à minha família, eu realmente não sei o que acham...cada um curte um som diferente do outro, é outro clima, outro ambiente, apenas meu sobrinho de 20 anos é quem veio para o lado do Rock por estes tempos todos, mas eles vêem minha correria com mochilas pesadas indo postar pacotes de discos no correio todas as semanas, eles vêem também eu viajando para outros estados ou países indo tocar com meu trampo! Com minha banda e com minha história né meu...mas não sei dizer, pois muita gente não consegue entender o que acontece no nosso underground saca? Enfim...de repente acham legal, mas no fundo queriam que eu estivesse tocando outro tipo de som e ganhando muito dinheiro, por exemplo, saca o que tô querendo dizer? Sei lá, realmente não sei e também não me importo com isto...

Fellipe CDC:

08) Você definitivamente desistiu de ter uma banda com integrantes fixos? Quais as vantagens e desvantagens de ser o único integrante da Besthöven?


Fofão:

Sim!! Sem sombra de dúvidas!! Foi a melhor coisa que fiz na vida meu...bom, desde criança, quando percebi a facilidade que eu tinha para aprender a tocar instrumentos diferentes, que eu havia colocado na minha cabeça que em algum dia, eu iria montar uma banda sozinho! Mas sinceramente, meu plano era ter uma banda ou duas fixas, com membros “normais” e à parte montar outra banda sozinho (nessa época eu nem conhecia o sentido da palavra “projeto” em relação à música), mas a vida é muito louca né mano? O tempo, as coisas modificam, amigos se vão, pessoas tomam suas prioridades, e quando me vi sozinho com a Besthöven, no final de 1994, eu acabei decidindo unificar esses dois objetivos, então à partir dali a Besthöven se tornou minha “banda de um homem só”, e eu digo “banda”, porque para mim “projetos” tem vida curta, e a Besthöven com 30 anos agora é uma banda concreta, mesmo sendo uma banda de um cara tocando tudo sozinho saca?

No meu caso, não vejo nenhuma “desvantagem”, de forma alguma! Muito pelo contrário!

Sozinho foi que eu consegui colocar as coisas no lugar, por exemplo, no inicio éramos desorganizados, nunca fizemos uma demotape decente, tanto que eu só considero a discografia da banda à partir de 95 por esse fator!

Sozinho ninguém fura ensaio, ninguém te tira do sério, sozinho eu ensaio com muito pouco, sozinho eu componho muito e gravo muito e sinceramente, consigo fazer muito mais do que uma banda normal, na moral, porque eu faço simplesmente tudo na banda, além de compor, escrever letras, faço as artes dos discos também, além de gravar todos os instrumentos sozinho, melhor agora que tenho meu próprio estúdio também e já não gasto grana pagando uma fortuna pra fazer uma gravação saca?


Outra coisa muito bacana é que posso viajar sozinho e tocar com membros temporários de lugares diferentes! E isso é incrível! Sem contar também que quando viajo só, fica tudo mais barato; é uma passagem só, uma hospedagem só, etc...

Nesses roles sozinho, os quais eu gosto muito, já tive a oportunidade de tocar com amigos fodas de bandas fodas que eu também curto, no Rio de Janeiro toquei com o Marcio(ex Apocalyptic Raids) na bateria e o Victor(Whipstriker) no baixo, por exemplo, e porra, os caras são foda, pegaram mais de 20 músicas em pouco tempo e ficou perfeito o bagulho saca? Em Sampa já toquei com dois Brothers da Nucelar Frost na batera e baixo, Brothers também depois da Stench of Death! Mais atualmente com o Michel da Detestö, etc...na Europa toquei com três membros de 3 bandas Italianas fodas; Kontatto, Noia e Disease, também no Perú com um baterista foda nos D-beat que é guitarra da DHK ! e por aí vai...


Gosto de viajar sozinho, e fazer meu trampo dessa forma, é algo muito bom, muito bom mesmo, sem contar que eu não me vinculo à ninguém, não fico dependente de ninguém mais! E essa liberdade de continuar criando e tocando assim é deveras foda!!!

Às vezes monto umas formações aqui também para alguns poucos shows, e é massa também! E outra coisa legal é que nestas formações, eu posso me revezar se eu quiser, fazendo guitarra e voz ou bateria e voz, ou só voz...e isso é muito legal também cara...inclusive já levei daqui também a formação já montada e ensaiada para outros estados!! No final das contas, estar sozinho me dá muito mais possibilidades!!

Fellipe CDC:

09) Para passarmos para outro tópico, queria que falasse um pouco das novidades sobre a velha Bestha, em especial do livro retratando a discografia.


Fofão:

Eu já vinha há algum tempo, pensando em publicar um livro da banda, mas algo que sempre me bloqueava e me dava um nó na cabeça, por assim dizer, era pensar em como fazer um livro com tantas e tantas coisas para falar no livro, para se contar, são muitas histórias, é uma estrada bem longa e bem ativa...


E o brother Ulixo me apareceu com a ideia de publicarmos um livro sobre a discografia somente! E eu achei isso foda, uma puta ideia, ou seja, dividir essas histórias daria tranquilo para fazer livros, cada livro sobre um tema especifico, o que direciona tranquilamente as ideias sem misturar tudo aquilo que eu acharia legal de estar colocando em um livro saca?

Então foi o que fiz, e este primeiro livro traz toda a discografia da banda, com mais ou menos uns 100 lançamentos no total, claro, incluindo também os relançamentos, alguns discos que saíram tipo em tape, cd e LP por exemplo também, coletâneas e tributos também. E incluindo também todas as artes e algumas histórias sobre os discos.


É como se fosse um catálogo ou uma enciclopédia com os lançamentos, então incluí todas as artes, capas, rótulos, e nestas histórias eu conto um pouco sobre cada disco, coisas curiosas no dia da gravação por exemplo, ou de onde veio inspiração para criar certos sons e letras, também falo como surgiram alguns convites, quem lançou, que selo, em qual país foi lançado, também inclui a lista de sons de cada disco, etc...

Com um trampo bacana e profí, em capa dura, vem também um marcador de páginas exclusivo, ficou bem legal mesmo essa publicação!

Escolhi o inglês para esta publicação, pois meus contatos lá fora são muitos e muitos, e dessa forma mais pessoas poderiam ler o livro tranquilamente...

Então este é o primeiro livro da banda, e eu mesmo o fiz, até mesmo porque sou o único quem lembra e sabe das histórias de cada disco, e o “faça você mesmo” é levado muito à sério por mim...


Tive ajuda ainda de dois amigos; Morpheus do Sebo Clepsidra, que já vem lançando livros há tempos, e me passou vários passos quanto ao formato, que programa melhor para usar, etc...e ainda do Squish, que trabalha justamente com edição e diagramação de livros e impressos, então ficou bem tranquilo para que eu realizasse o desenrolar do livro sem quebrar a cabeça né meu...agradeço muito esses dois super amigos meus!!

Fazer um livro é diferente de fazer música ou de fazer um zine né meu, então é legal você procurar um suporte alí para poder começar a fazer o livro já dentro do padrão e tudo certinho, como deve ser, antes mesmo de ser enviado para a gráfica e tals...

E vendeu muito bem! Só me resta algumas unidades aqui, e mesmo assim já estão reservadas e devem seguir viagem nos próximos dias...



Fellipe CDC:

10) O seu projeto Colder Than Us durou de 2012 a 2015, o Massacre Divine começou em 2012 e foi até 2016 e você está com a Svartfaglars Begravning desde 2017. Analisando a vida média dos dois primeiros projetos, pode-se dizer que o S.B acabará ano que vem? Fale um pouco desses projetos e o que os diferenciam.


Fofão:

Bom, vamos por partes; a Colder Than Us foi um projeto de Gothic Rock/Dark que eu fiz, mais uma vez por sentir falta de tocar nesse estilo também, mais uma vez fazendo tudo sozinho; tocando e gravando tudo sozinho, fiz um esquema também que ficou legal, que foi gravar várias vozes em tons diferentes uma em cima da outra neste projeto, o que às vezes parecia um coral! no último disco, eu convidei a amiga Aline (ex-Vultos), para cantar comigo algumas canções, e acabamos por gravar todo o disco com as duas vozes, na verdade eu e ela fazendo 2, 3, 4 vozes diferentes também!


Já a Massacre Divine, foi um projeto internacional que fiz com um amigo do Canadá, onde ele gravava as partes dele lá e eu gravava as minhas partes aqui, eu fiz baixo e voz nesse projeto, e ele bateria e guitarras! Ele compôs toda a instrumental e eu escrevi todas as letras; metade português e metade inglês!


Lançamos um EP com quatro sons, chamado “Beijando a Morte”, que saiu na Suécia e Espanha ao mesmo tempo e teve ainda uma versão em tape na Rússia, além dos cds piratas que eu fiz para ir divulgando enquanto os lançamentos oficiais não saíam...

Depois gravamos um segundo EP com mais quatro sons, só que desta vez a banda deu uma crescida na formação, eu fiz apenas voz e o amigo do Canadá colocou um baixista e um baterista também do Canadá para compor e gravar a parte instrumental! No mesmo esquema, saiu também em tape na Rússia pelo mesmo selo, além dos cds piratas que eu fiz, o som era D-beat raiz, como os primeiros EP´s da Discharge, o segundo EP da gente, tem outras influências também, já tem uma pegada mais na linha do Discharge “Hear Nothing...”, e se tivesse continuado, eu creio que teríamos caído para uma pegada mais “The More I See....”


Agora o projeto Svartfaglars Begravning (que significa “O Enterro dos Pássaros Negros, em suéco), apesar de ser um projeto totalmente diferente, eu creio que de forma inconsciente, eu acabei trazendo influencias desses outros dois projetos também! Porque meu objetivo era misturar justamente “The More I See” com Gothic rock/post punk! E é assim que funciona o trampo da Svartfaglars!


E sim! a Svartfaglars vai encerrar as atividades agora em Dezembro! Que é quando lanço o novo disco “In League With Darkness”, esse disco novo tem uma coisa muito bacana, que é o seguinte: cada música nesse disco novo eu fiz usando uma letra de algum amigo que foi convidado para fazer parte desta liga, então já gravei sons novos com letras dos amigos Secco(Riacho Fundo), Morpheus(DF/SP), Taiane(RS), os próximos sons ainda serão gravados em breve com mais letras de amigos, na contracapa também a arte de uma amiga do Chile...


A Svartfaglars tem além dos cds piratas que eu lancei, ainda um EP vinil que foi lançado na Alemanha de nome “The Dark Revenge” com 6 sons, incluindo um cover da Massacre(Finlândia), uma fita k7 profí lançada em São Paulo pelo selo Dor Presente Gravações e está para sair agora um novo vinil single com dois sons! E ainda uma faixa na compilação De Profundis!


Como falei antes, projeto para mim, significa que é algo temporário, de vida curta...

Tenho ainda um projeto de Grindcore com alguns sons gravados que vou finalizar ainda, e um outro projeto de Crust “mid tempo” que devo iniciar em Janeiro as gravações...

Fellipe CDC:

11) O seu selo, Discórdia Records, já fez uma série de lançamentos, no entanto, quero que você liste aqui os 3 que mais te enchem de satisfação. E o que a Discórdia pretende lançar em um futuro próximo?


Fofão:

Puta mano, aí é complicado de listar, desculpe...sei lá, acho que temos que gostar de tudo que lançamos né meu? Se não nem tínhamos lançado né...

Porra, comecei lançando tapes por volta de 95 com esse nome Discördia records, as demos da Besthöven, todas eu mesmo lancei por exemplo, além de algumas coletâneas, na época existia uma fábrica da Basf em Goiânia, e a fita k7 virgem custava lá tipo 50 centavos!, lembro que eu ia à Goiânia passar o fim de semana com meus amigos e na volta eu comprava uma caixa fechada de fitas com 250 unidades!! Pra fazer os lançamentos, inclusive fizemos esse mesmo processo com a Lupercais!! Mas de repente ficou impossível de se comprar fitas k7 no brasil todo...


Então passei a lançar cd-r, apesar de não gostar deste formato, foi o que deu pra fazer e não ficar parado né, participei de alguns lançamentos oficias também, e ainda organizei algumas coletâneas como o “Tributo à Discharge” brasileiro! Entre outros aqui e no exterior também...

Relancei por conta própria também em cd-r algumas bandas daqui antigas como as demos da N.Ä.D.A. por exemplo, por volta de 2004, para divulgar um pouco do passado de boas bandas brasileiras aos amigos do exterior e até mesmo aqui no brasil também...recentemente encontrei os caras na internet e até mandei um cd-r desses pra eles verem!! O baterista inclusive nem tinha mais essas demos!!


Atualmente com o selo Discördia records, fiz 3 volumes em cd-r de uma compilação chamada “O Som do Abismo” com várias bandas brasileiras, para ajudar a divulgar no exterior!! Comecei com 200 cópias de cada, mas já devo ter feito em torno de 350 cópias de cada, além de disponibilizar pra download e os amigos de outros estados que fizeram mais cópias também! Nos 2 primeiros volumes, apenas bandas em atividade, bandas novas e antigas, mas somente bandas em atividade. Já no vol. 03 eu fiz um “de volta ao passado” com material de minha coleção, de contatos antigos e bandas que saíram no meu velho zine também! Somente coisa retirada direto de fitas k7, fitas demos, fitas ensaio, que vai alí do final dos anos 80 até 1998!

Hoje com o selo também, estou bastante centrado no lançamento dos livros!! E posso adiantar que pelo menos mais 3 livros estão saindo da cabeça e indo para o papel!!

E há projeto para alguns cds oficiais digipack se desenrolando, mas é segredo, hahaha

Fellipe CDC:

12) Você também compilou todos os números do seu fanzine Vermynoze Pútrida e lançou um belo livro. Como pintou a idéia e como tem sido a repercussão até o momento?


Fofão:

Pois é! Na verdade, este projeto de fazer esta publicação com as edições do livro, é um projeto já bem antigo na minha cabeça! E só calhou agora de fazer, depois do livro da discografia da Besthöven, pois gostei muito do primeiro livro e gostei muito do formato do livro, do lance da capa dura, etc...inicialmente eu havia planejado um outro formato para a compilação do zine, mas esse formato do livro da discografia é ducaralho demais!! Então resolvi seguir o mesmo padrão para ele e para os próximos livros também, até mesmo porque quem pegou todos os livros vai ter tipo uma coleçãozinha fodona com os books do Fofão!! Hahaha


E sinceramente, na minha humilde opinião; ficou perfeito a parada! Digo perfeito porque saiu exatamente como eu havia planejado!! Alí tudo é proposital, inclusive eu atropelei algumas regras de margem e tamanho de fontes, justamente para ficar com mais cara de zine possível!! Fiz questão de manter também algumas páginas originais, da mesma forma que saiu no zine original, com máquina de escrever zoada, com xerox ruim, com erro de português, eu realmente não quis arrumar nada, nem modificar, a ideia era deixar o bagulho com cara de zine mesmo, ao máximo!! Inclusive muita coisa à mão também, como era no zine na verdade na época em que foi publicado...tive o cuidado de escanear várias fotos originais “de papel” dos meus arquivos também para se ter uma melhor qualidade em algumas partes, já que algumas fotos são originais e vieram do exterior, então creio que pode não haver outra cópia dessas fotos!!

E porra, fiquei felizaço com o resultado todo!!


A repercussão de ambos livros tem sido fodidaça mano!!! Do primeiro livro já esgotou, desse livro do zine “Total Paper Collection 1990-2012” me restam algo em torno de 15 livros somente! E muita gente tá comprando ainda, muitos para o exterior e para o brasil todo também!


E devo dizer que até o envio desta entrevista ainda não havia chegado meu terceiro livro, mas chegou!! O novo livro se chama “Vermynoze Putrida Zine – The Photobook”! E como o próprio nome já diz é um livro de fotos, com os arquivos de meu zine, devo ressaltar que são fotos que eu mesmo tirei em shows que fui ou toquei, ou ainda organizei ou ajudei a organizar, fotos que amigos tiraram e ainda fotos que chegavam pelo correio para serem publicadas no zine ou pelo simples prazer da troca de ideias e informações bem antes da internet!


Então é preciso dizer que esse livro NÃO é a história definitiva de porra nenhuma!!!

É tão somente a publicação de meu acervo pessoal de fotos, e fica em torno somente do meu zine e dos contatos que tinha quando publicava o zine antigamente....além das fotos fiz ainda uma galeria de cartazes que funciona também da mesma forma que as fotos, e alguns flyers antigos de bandas e zines que vinham pelo correio...são 220 páginas também em capa dura e traz um postal de brinde! E ainda devo dizer que as fotos nesse livro não se repetem no livro anterior, ou seja, nenhuma foto esta repetida nos livros, cada livro tem suas próprias fotos...


Bom, pra finalizar em matéria de publicações, nesse período que fiquei sem lançar o zine, eu continuei como colaborador para outros zines como; Visual Aggression(SP), De Profundis(SP) e Disfuzão(RS) também, e recentemente voltei a publicar o Vermynoze!! Em 12 páginas A4 seguindo o intuito de antes, com cobertura internacional, neste número Zero temos entrevistas exclusivas com as bandas Pós-Sismo(RJ), Autonomia(Perú) & Kiljuvelka-70(Finlândia), além da “page from the past”; com uma matéria sobre a minha velha Lupercais! O zine vem com um CD-r com 3 sons de cada banda do zine também!! Limitado à 100 cópias!!!


Quem tiver afim de pegar o zine ou os livros ou outros materiais, mande uma mensagem nos contatos logo abaixo!

Fellipe CDC:

13) Antes da suas considerações finais, conte como o seu estúdio (de ensaios e de gravações) está se virando durante esse terrível e temível período de pandemia.


Fofão:

Esta triste pandemia pegou o mundo de surpresa e tem fodido a vida de todo mundo e em muitos aspectos…eu quero muito que essa porra acabe, que essa merda pare de matar tanta gente no mundo todo…


O meu estúdio está fechado desde o inicio da pandemia, eu resolví não atender ninguém durante a pandemia! E continua fechado! E continuará fechado quanto tempo for necessário! E hoje muita gente entra em contato querendo ensaiar, dizendo que a pandemia acabou e que os bares voltaram a abrir e que shows já estão Rolando, mas sinceramnte, eu quero que se foda esse pensamento! A porra da pandemia não acabou, pessoas ainda estão morendo todos os dias, e eu não vou de forma alguma colaborar com isso, não quero banda nenhuma ensaiando aqui por estes tempos, e se tem bar aberto e show rolando já, eu quero que se foda também, pois eu não estou indo lá e nem irei!

Acho muita estupidez, as pessoas andarem nas ruas sem mascara, aglomeradas em portas de bancos umas emcima das outras, e acho uma estupidez uma banda se enfiar numa sala de ensaio sem proteção nenhuma enquanto essa merda de virus ainda estiver por aí… infelizmente somos um país imbecil, e por mais que seja cliché isso; creio que muitos infelizmente só vão levar essa situação à sério quando perderem algum ente querido, um filho, uma mãe, o melhor amigo…pra essa merda de virus…

No estúdio só tenho feito meus próprios trabalhos, com minha banda(sozinho) e meu projeto(sozinho), e de serviços para fora, até agora só fiz trabalhos sem a presença de pessoas: editei algumas músicas que vieram por email, copiei cds piratas para o selo de um amigo, digitalizei alguns tapes para outro amigo, etc…

Então é isso meu, agradecer aqui mais uma vez pelo espaço e pelo interesse em realizar esta entrevista! Aos amigos que sempre apóiam meus trampos no underground! E à você que leu esta entrevista!

BRIGADOOM!!!

É nóis!!

Fofäo-Outubro-2020.

discordiarecords@hotmail.com.

ENTREVISTA

Site: ESCOLA DE ROCK

Entrevista com: Fofão

Entrevistado por: Fellipe CDC


 
 
 

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