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A Terceira Pessoa

  • 4 de ago. de 2020
  • 2 min de leitura

O sujeito estava em frente ao Teatro Galpãozinho do Gama, não faz 15 anos. O vendedor de bebidas sorriu e disse: - Pode beber até cinquenta reais, que é para eu lhe pagar os juros!

- "Que juros?", perguntou o sujeito.

- É pelo troco de outro dia. Você já tinha bebido e pago umas doses de conhaque... Bebeu, então, uma latinha de cerveja e deixou o troco seguinte de crédito... Como passou mais de mês, pode beber cinquenta reais, a nota que você deixou. A latinha daquele dia fica de bônus...

- "Que dia?", o sujeito quis saber...

- Ah! Poxa! Dia certinho eu não lembro... Mas foi num festival na CNF.

- "Em Taguatinga? Mas Taguatinga é longe aqui do Gama, outra cidade", argumentou o sujeito desconfiado.

- "Pra mim é tudo Brasília", disse o vendedor.

- "Brasília não é. Mas é DF", retrucou o sujeito mudando o foco da conversa.

- Tudo a mesma bosta. Aliás, bosta, não! Adoro o DF todo... foi só o jeito de falar. Digo, aliás, quis dizer: adoro as cidades de Brasília, do DF. Entende? Brasília e DF pra mim...

- "Bosta!", exclamou o sujeito tendo um lampejo de lembrança.

- "Bosta, não!", reagiu o vendedor franzindo a testa.

- "Sim! Não! Quero dizer: eu me lembro! Naquele dia, em Taguatinga, eu fui ao banheiro e deixei mesmo uma nota de cinquenta contigo... ", assim o sujeito contextualizou todo o ocorrido.

- "Saiu pra cagar e não voltou?", ironizou o vendedor.

- Não! Ou sim... sei lá! Sentei no vaso do banheiro químico e cochilei. Pra mim foram segundos, apenas. Mas quando abri a porta do banheiro, o festival já tinha acabado... a arena estava deserta, sem segurança, sem bar aberto, sem ambulantes, só o silêncio.

- Pois é. Tem pessoa que mistura "bebida quente" com cerveja e perde a noção. Tem que ter um "santo forte" pra não acontecer nada de pior... Eu não tenho como lhe devolver o dinheiro agora. Mas anotei seu crédito. Pode consumir o que tiver na barraca... se passar um pouco do valor que você deixou pago, não tem problema. Fica "pro santo".

- Pro santo, não... Deixe esse assunto só entre nós dois. Não conte pra santo algum, nem pra ninguém. Nada de terceiros a saber... E obrigado por lembrar de mim e do meu crédito.

- Ah, não há de quê! Jamais esqueceria de você, xará. Temos o mesmo nome. Rapaz, rapaz! Toma jeito, rapaz!

- Tá bom... Não tomo mais conhaque... Cinquenta reais dá quantas cervejas sem álcool?

- Hummm... Tô achando que eu confundi você com outra pessoa!

(#TMZ, codinome de Tomaz André)

 
 
 

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